Bobath é uma abordagem terapêutica de reabilitação desenvolvida no início dos anos 1940 pelo Dr. Karel Bobath e por Berta Busse Bobath, o casal Bobath, para o tratamento de crianças e adultos com disfunções neurológicas. Tem como base a compreensão do desenvolvimento típico e utiliza todos os canais perceptivos para facilitar os movimentos e as posturas seletivas que aumentam a qualidade das funções da criança.
No Método Bobath, o paciente é estimulado a aprender a sensação do movimento, e não o movimento em si. O objetivo é facilitar as funções motoras e inibir movimentos involuntários e posturas anormais. É extremamente importante para o desenvolvimento motor da criança e pode ser aplicado precocemente em bebês, antes que se estabeleçam as desordens de postura e de movimento, que em muitos casos podem ser evitadas.
Objetivos do tratamento neuroevolutivo
O objetivo das técnicas é diminuir a espasticidade muscular e introduzir os movimentos automáticos e voluntários, preparando a criança para os movimentos funcionais: o tônus anormal é inibido e os movimentos mais típicos são facilitados. O tratamento inclui movimentos ativos e passivos, mas só os ativos dão as sensações essenciais para a aprendizagem dos movimentos voluntários.
Para quem é indicado
O Método Bobath é indicado para crianças e adultos com disfunções neuromotoras. No universo infantil, é mais comumente aplicado em crianças com Paralisia Cerebral ou encefalopatias crônicas não evolutivas. Esse e outros métodos compõem o conjunto de recursos que utilizamos durante os tratamentos, de forma simultânea, nas sessões.
A história do conceito
O conceito foi criado por Karel Bobath (psiquiatra e neurofisiologista) e Berta Busse Bobath (educadora física e fisioterapeuta). A técnica foi descrita pela primeira vez em 1948 e, em 1951, o casal abriu sua clínica em Londres, o Western Cerebral Palsy Centre. Karel publicou o livro “Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia Cerebral”, que deu o embasamento científico ao conceito da terapia neuroevolutiva.
Na década de 1960, com o objetivo de prevenir as deformidades incapacitantes causadas pela Paralisia Cerebral, Mary Quinton (fisioterapeuta) e a Dra. Köng (neuropediatra), ambas formadas pelo conceito com Berta Bobath, iniciaram um trabalho pioneiro no tratamento de bebês de risco e de bebês com padrões de movimento atípicos, por meio da intervenção precoce.
Desde então, o conceito Bobath tem sido praticado no mundo todo e vem evoluindo. Hoje é definido como uma abordagem de resolução de problemas para avaliar e tratar indivíduos com distúrbios da função, do movimento e do controle postural devidos a uma lesão do sistema nervoso central, independentemente do grau de incapacidade. É uma abordagem funcional: o objetivo é que o indivíduo alcance a função com a máxima qualidade possível, considerando seus limites e os do ambiente, otimizando sua atividade e participação, em congruência com a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF).


